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Antigo 02-04-2007, 21:25
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Default Aqui fica o resultado dos testes feitos pela revista Exame Informatica

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Apesar de já liderar claramente a corrida do desempenho com o Core 2 de dois núcleos, que ultrapassaram os melhores processadores da AMD, a Intel parece apostada em manter a distância para a concorrência.

Sinal disso é o lançamento do primeiro processador quad core (quatro núcleos de processamento), do mercado, o Core 2 Extreme QX6700.

A Exame Informática recebeu, em primeira mão, este CPU ainda antes do fecho da edição anterior.



No entanto, devido à data de embargo (até início de Novembro estávamos proibidos de apresentar benchmarks), só agora podemos publicar a análise do processador.

A vantagem desta espera é que tivemos mais tempo do que o normal para analisar o produto, o que nos permite tirar conclusões mais precisas e mais completas.

1+1=4

Até agora conhecido pelo nome de código Kentsfield, o Core 2 Quad resulta da junção de dois Core 2 Duo (ver caixa Nativo ou não nativo).

O resultado são quatro núcleos de processamento, com uma espantosa
contagem de transístores: um total de 582 milhões (291 milhões por cada par de núcleos).

Cada um dos pares tem à sua disposição 4MB de memória cache de segundo nível, o que totaliza 8MB em todo o CPU.

Apesar de a Intel ter apresentado nos Core uma arquitectura de memória cache partilhada, isso não acontece no Core 2 Quad devido à sua arquitectura não nativa.

Ou seja, cada par de núcleos só pode aceder aos seus 4MB de cache, o que significa que é mais correcto dizer que o Core 2 Quat tem 2x4MB de cache L2.

A frequência de funcionamento do Core 2 Extreme QX6700 é de 2,67GHz mas, como é típico das versões Extreme, o multiplicador encontra-se desbloqueado, o que, caso a placa-mãe o permita, facilita o overclock.

O preço anunciado pela Intel para o seu novo topo de gama é de 999 dólares, o que, no mercado português, deverá ser traduzido para pouco mais de 1000 euros.

O elevado preço e o carácter de exclusivo das versões Extreme faz com que seja um pouco difícil encontrar estes CPU no nosso mercado.

Normalmente é necessário encomendar e estar preparado para esperar, no mínimo, alguns dias.

Interessante é verificar que a Intel não descontinuou nem, pelo menos nesta primeira fase, baixou o preço do anterior Core 2 Extreme, o X6800.

E até se compreende a razão desta atitude. É que o X6800 funcionaa uma frequência superior, 2,93GHz.

E, como veremos na análise dos benchmarks, grande parte do software apresenta maior desempenho no X6800 relativamente ao QX6700 porque, simplesmente, não está programado para tirar partido do multiprocessamento.

Ou seja, apesar de, na teoria, os Core 2 Quad apresentarem o dobro da capacidade de processamento dos Core 2 Duo com a mesma frequência, a realidade é bem diferente devido ao facto de muito do software, especialmente o mais antigo, não ter sido concebido para aproveitar os diversos núcleos.

Um pouco como aconteceu na passagem dos processadores simples
para os dual core.

ONDE OS CORES FAZEM A DIFERENÇA

A situação do suporte para vários núcleos não mudou muito deste a introdução dos dual core.

Continuam a ser as aplicações profi ssionais de CAD, modelação 3D, edição de imagem e edição de vídeo as que mais aproveitam o multiprocessamento.

Neste tipo de aplicações, o ganho de desempenho do Core 2 Quad relativamente ao Core 2 Duo chega a ser de quase 100%.

Por exemplo, os renders quando a utilizar um único núcleo demoram entre 3x a 4x mais tempo do que quando a utilizar os quatro núcleos.


E a passagem de dois para quatro núcleos pode representar a quase duplicação da eficácia (ver resultados do CineBench 9.5 e do Premiere Pro 2.0).

Isto faz com que o Core 2 QX6700 aumente substancialmente a produtividade dos profissionais que trabalham com o tipo de aplicações já mencionadas.

Estes utilizadores normalmente precisam do máximo desempenho possível porque trabalham contra o relógio (têm prazos apertados a cumprir).

Além do mais, um sistema mais rápido permite-lhes criar projectos mais complexos e mais ricos, o que se traduz numa vantagem competitiva.

No campo oposto estão os jogos, que continuam a ser, na esmagadora maioria das situações, limitados pelas placas gráficas.

Razão pela qual os programadores não têm apostado muito em tirar partidos dos vários núcleos.

A outra razão óbvia é que os jogos mais complexos podem demorar três ou mesmo quatro anos a desenvolver, o que significa que começaram a ser programados na era dos processadores de um único núcleo.

Isto é especialmente válido para os motores gráficos, que são depois utilizados por vários jogos diferentes.

Um jogo novo pode utilizar um motor desenvolvido há quatro ou cinco anos e, como tal, estar limitado ao processamento simples.

Mas as coisas estão a mudar a um ritmo acelerado.

Todas as grandes produtoras de jogos estão agora a trabalhar com o objectivo de tirar partido do multiprocessamento.

O motor Unreal Engine 3 (será utilizado pelo Unreal Tournament 2007) é um dos melhores exemplos, na medida que será capaz de utilizar núcleos extra para várias funções, incluindo a aceleração da física e outros efeitos em tempo real.

Ou seja, a chegada dos dual core veio criar uma nova forma de programação, que começa agora a criar os seus frutos nos jogos – as aplicações profissionais já aproveitam há muito o multiprocessamento porque já eram utilizadas em grandes estações de trabalho com vários processadores.

Veja-se como o 3D Mark 2006, um benchmark criado para antecipar o desempenho dos jogos futuros, já aproveita os quatro núcleos.

Mesmo a 3,47GHz, o Core 2 X6700 foi incapaz de bater o Core 2 QX6700 à frequência padrão (2,67GHz).

Outra clara vantagem, que não é mensurável pelos benchmarks, está na velocidade de resposta do sistema em ambiente Windows, especialmente quando alternamos por várias aplicações.

Foi uma das melhores consequências da adopção de processadores dual core: tudo ficou mais rápido quando se alterna entre programas.

Falamos daqueles pequenas (ou grandes) pausas quando, por exemplo, se muda de uma aplicação de edição de imagem para um browser web.

Com o Quad da Intel essas pausas são ainda menores.

O aumento da capacidade de resposta do sistema é tanto maior quanto mais programas estamos a utilizar.

Isto no Windows XP. Experimentámos também no Windows Vista RC1 e o resultado é ainda mais evidente, demonstrando o que já se sabia: o Vista tira mais partido do multiprocessamento.

O sistema parece aguentar com tudo, mesmo quando realizámos operações “pesadas” em simultâneo.

Por exemplo, converter um vídeo de alta definição não “trava” outros programas que estejam a ser executados.

DESEMPENHO/WATT

Segundo a Intel, o QX6700 requisita uma potência eléctrica máxima de 120 watts, mais 40 watts do que o X6800.


As nossas medições não demonstram uma diferença tão grande: “apenas” 27 watts separam as potências máximas medidas.

Ainda assim, é uma diferença substancial e representa uma bem maior dissipação térmica.

Aliás, com a tensão eléctrica padrão, o Core 2 Extreme X6800 consegui chegar aos 3,47GHz, enquanto o Core 2 Extreme QX6700 ficou-se pelos 3,2GHz.

A menor capacidade de overclock do quad core prova que este dissipa mais potência eléctrica e, consequentemente, aquece mais.

Aumentado a tensão eléctrica sobre o CPU para os 1,5 volts conseguimos fazer com que o QX6700 também atingisse os 3,47GHz estavelmente, mas não recomendamos aumentos da tensão eléctrica porque poderão ter consequências nocivas sobre a vida do CPU – claro que será certamente possível manter este tipo de tensões eléctricas mais elevadas se se utilizar melhores sistemas de dissipação térmica.

Mas todos os nossos testes foram feitos com o dissipador a ar padrão fornecido pela Intel.

Aliás, foi interessante verificar com o próprio sistema da Intel para controlo automático da ventoinha do dissipador faz com que a velocidade de rotação quando a utilizar o QX6700 seja muito superior à velocidade de rotação quando a utilizar o X6800, mesmo quando este está em overclock.

Nada de surpreendente porque, como já referimos, o QX6700 tem, na prática, dois Core 2 Duo debaixo do mesmo capot.

Ainda assim, a integração no mesmo package é, em termos energéticos, mais eficiente do que a utilização de dois verdadeiros CPU independentes.

Dois Core 2 Duo precisariam de 160 watts, e não de 120 watts.

E, se fizermos uma simples conta de divisão entre as pontuações obtidas e
o respectivo consumo energético, concluímos que o QX6700 é até energeticamente mais eficiente do que o X6800 em aplicações que tiram partido do multiprocessamento.

No CineBench 9.5, cada ponto do rendering precisa de 0,2w quando a utilizar o QX6700 e 0,29w quando a utilizar o X6800.

Ou seja, embora o novo quad core precise de mais energia do que o dual core equivalente, o desempenho extra resulta numa melhor relação desempenho/watt.

VEREDICTO

Se é verdade que em muitas aplicações o Core 2 X6800 é bem mais rápido do que o Core 2 QX6700, também é verdade que o elevado preço destes processadores faz com que só possam ser adquiridos por pro-fissionais de áreas onde o suporte para o multiprocessamento já existe.

Neste caso, os quatro núcleos fazem uma grande diferença na produtividade.

E, se pensarmos em termos de futuro e do Windows Vista.

O QX6700 torna-se ainda mais interessante e apresenta, com à vontade, uma maior longevidade.

Por tudo isto concluímos que o QX6700 é o novo rei de desempenho nos processadores para PC.

Mas atenção: para os utilizadores comuns, não é economicamente interessante adquirir este topo de gama.


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