Infernal é um jogo de acção na terceira pessoa que promete incendiar o PC e Xbox 360 muito brevemente. Tivemos acesso a uma versão beta, bem próxima da final, que nos permitiu confirmar algumas das promessas feitas pela Metropolis Software. O jogo será editado pela Eidos, estando previsto para o fim de Fevereiro. Se o currículo da Metropolis não inspirava grande confiança, as informações disponibilizadas deixavam-nos curiosos.
Antes de mais há que referir que o título do jogo refere exactamente o ambiente vivido neste jogo. O protagonista Ryan Lennox é um agente que se vê perante um irrecusável pacto com o The Boss, o nome carinhoso que a editora escolher para designar o senhor do inferno. Daqui surge a combinação entre a destreza e capacidade sanguinária de Ryan, com os seus novos poderes místicos adquiridos. Ao que parece, os papéis estão invertidos, e aqui, os “demónios” são os bons da fita. Não é para menos, vendo monges armados até aos dentes para nos eliminar não é difícil querer ripostar.
Deixem-me que diga que a personagem Ryan é bem capaz de ter futuro. Gostei da pinta do tipo, com uma barba por fazer e pêra, cabelo despenteado. E a sua tatuagem, que apanha a cara, descendo o pescoço, confere-lhe um estilo impecável. Esperamos que a Metropolis tenha criado uma história à altura da personagem, e que possamos mesmo vir a descobrir o seu real papel neste conflito explosivo entre o Bem e o Mal.
Para já, pelo que vimos, estamos perante um jogo na terceira pessoa bem sólido, dotado de uns gráficos que embora não sejam o último grito, são bem interessantes. A acção mistura o uso de armas convencionais - pistolas, uzis, caçadeiras, shurikens - com poderes demoníacos. Entre os poderes que observei nesta versão, destaque para as rajadas de energia, bem mortíferas, assim como a capacidade de tele-transporte, que será utilizada principalmente em puzzles. Imaginem que um inimigo se encontra atrás das grades a fazer-vos a vida negra. Basta activar o poder e com o rato apontar o local de destino, matar o inimigo, e quando o efeito termina voltamos calmamente ao lugar de origem. O mesmo pode ser feito para ultrapassar uma série de detectores de presença, permitindo-nos passar por eles e desactivá-los. Apesar da ideia parecer boa, a primeira vez que utilizei este poder achei que não era muito intuitivo, ou pelo menos a informação de como o usar correctamente era um pouco vaga. Espero que na versão final seja mais simples.
Utilizei ainda a visão infernal. Quando a activamos, remete-nos para a primeira pessoa e tudo fica destorcido, em tons acinzentados. Desta forma podemos observar áreas e mensagens secretas, energia e mana que pairam no ar, impossíveis de detectar de forma normal. É ainda sabido que a personagem poderá abrandar o tempo, conhecido como bullet time, permitindo eliminar ainda mais inimigos em pouco tempo. Além disso irá utilizar poderes telecinéticos, capazes de manipular e arremessar os objectos espalhados pelo cenário. O jogo recorre a um sistema de física, suportando a tecnologia PhysiX da Ageia. Nesta versão não ficámos verdadeiramente surpreendidos com estes elementos, que já começam a ser comuns nos melhores do género.

Para utilizarem os poderes terão de ter mana, que se restabelece passados alguns segundos. No entanto a personagem é influenciada pela aura do ambiente que a rodeia e utiliza um medidor para nos orientar. Por exemplo, se estiverem expostos a luz excessiva, como holofotes ou mesmo luz natural, a mana decresce. Em ambientes neutros esta não se restabelece. Mas em locais escuros restaura-se. Assim, terão em muitas situações de destruir as fontes luminosas. O primeiro boss, por exemplo, estava protegido por um escudo, impenetrável pelas armas convencionais. Por outro lado, vários candeeiros teriam de ser destruídos, para que pudéssemos gerar mana e o atacar com os nossos poderes. Esperam-se assim alguns puzzles semelhantes no decurso do jogo.
Poderão ainda absorver todos os inimigos que derrotam, não só a sua energia vital para aumentar a nossa saúde, mas os objectos que possam estar contidos no seu inventário, como munições ou passes de segurança.
Algo que também observei nesta versão, e que espero ver melhorado, é a inteligência artificial dos inimigos. Para já limitam-se a esconder atrás de colunas ou caixotes, mas também têm tendência a ficarem especados a olhar para nós. Além disso, cheguei a fazer algumas manobras evasivas, como rebolar, ficando atrás do inimigo, e este continuava a olhar para a frente. Há no entanto um factor a considerar, pois quando rebolamos ficamos invisíveis. No entanto, ao termos acesso às suas comunicações áudio, isso estraga qualquer elemento surpresa dos seus ataques, e a maior parte das vezes antecipava-me sempre. Espero que na versão final estes aspectos sejam refinados, pois achei a acção para já muito fácil, sem nunca ter morrido nesta experiência.
Mas ficou a ideia de que a acção é sólida, e o uso das armas confere o impacto necessário nestas andanças. Espera-se que a capacidade da personagem se encostar atrás das paredes e disparar às cegas nos possibilite grandes confrontos. Estão ainda prometidas algumas sequências de perseguições de motas, dando mais variedade à acção.
Os cenários por onde passei pareceram bem interessantes. Começando numa espécie de bar, todo psicadélico, que é atacado por agentes que querem o nosso pêlo, passando depois a um convento tudo menos angélico, com monges armados e cheio de tecnologias avançadas. Os efeitos de neve estão muito bons, tornando o ambiente mais credível. A acção é sempre pautada por músicas ao sabor de riffs de guitarra, em melodias bem pesadas.
Infernal promete ser um bom jogo de acção, a verem-se corrigidos alguns problemas patentes nesta versão. Esperamos acima de tudo que os inimigos dêem mais luta do que a observada.